Vocação nervosa

Confira o cupê Honda Civic Si, importado do Canadá, une esportividade e bom recheio
Editor de Imagens: Quinzinho

A sensação é a de se estar em um verdadeiro carro de pista.
HONDA CIVIC SI

POR MÁRCIO MAIO
A briga entre o Honda Civic e o Toyota Corolla se tornou mais acirrada no Brasil desde 2013, quando o primeiro tomou a liderança do segundo e, no ano seguinte, perdeu novamente com o lançamento da nova geração do rival. Nessa disputa, uma pitada de tecnologia e extravagância na linha do modelo da Honda é sempre bem-vinda. E é exatamente isso que o cupê Si faz. O cupê é capaz de entregar uma experiência de pilotagem esportiva, chama atenção pelo caimento acentuado do teto e as duas portas e funciona como excelente vitrine da gama, atraindo os olhares de curiosos e entusiastas no universo automotivo. Como é trazido do Canadá, se tornou ainda o modelo mais caro da linha, vendido em versão única a R$ 162.900.

A maior mudança adotada no novo Civic Si, à venda no Brasil desde abril deste ano, foi o novo motor turbo 1.5. Com injeção direta, duplo comando de válvulas variáveis no cabeçote e quatro cilindros, ele trabalha em conjunto com transmissão manual de seis velocidades. Ele é semelhante ao usado na versão Touring do Civic nacional, mas o rendimento é bem diferente. No modelo feito no Brasil, a potência é de 173 cv e o torque, 22,4 kgfm, Na versão esportiva, o propulsor rende potência máxima de 208 cv em 5.700 rpm e torque de 26,5 kgfm, que aparece aos 2.100 giros e se mantém em 70% da faixa de rotação útil do motor. Além disso, componentes de chassi e direção aprimorados – caso da direção elétrica adaptativa de duplo pinhão com relação variável –, suspensão com acerto esportivo, amortecedores adaptativos e diferencial com escorregamento limitado estão entre os pontos reforçados no modelo. E discos de freio de 12,3 polegadas na dianteira e pneus 235/40 R18 ajudam a garantir a personalidade mais arisca.

Pela primeira vez, o Civic Si traz dois modos de direção, sendo o mais endiabrado acionado através da tecla Sport, localizada no console central. Ela altera parâmetros dos amortecedores adaptativos, do acelerador eletrônico e da assistência de direção elétrica para entregar respostas mais diretas e comportamento condizente com o visual esportivo. No caso, a suspensão passa a trabalhar com mais carga e a direção fica mais dura.

No visual, a dianteira tem grade frontal preta e largas tomadas de ar. O modelo vendido no Brasil traz uma exclusividade: faróis integralmente em leds. De perfil, as rodas de liga leve de 18 polegadas têm dez raios e acabamento em dois tons. Atrás, o Si mantém a assinatura de design do modelo, com o elevado aerofólio traseiro, mas acrescenta uma barra de leds horizontal que acompanha toda extensão e escapamento central com formato poligonal e acabamento cromado. Por dentro, os bancos dianteiros têm formato concha, com costuras vermelhas e o logotipo da versão. O pespontado aparece também nas portas, volante e na coifa do câmbio, com alavanca em alumínio. Há ainda outros detalhes no interior como a iluminação vermelha do painel em TFT e dos comandos internos, os pedais em alumínio e o friso do painel de instrumentos com acabamento semelhante à fibra de carbono.

Primeiras impressões

Centro das atenções

Rio de Janeiro/RJ – É comum que as marcas apresentem seus carros mais esportivos para avaliações em pistas de competições ou, ao menos, estradas em que se pode extrair pelo menos parte do desempenho prometido para esses modelos. A Honda, no entanto, escolheu um trajeto estritamente urbano para tentar mostrar as aptidões do novo Civic Si. Não se trata do habitat natural do cupê, mas ainda assim mostra que o Si é um automóvel capaz de divertir em qualquer cenário.

O Civic Si impressiona pelo visual. O desenho moderno da nova geração da linha está ali, mas com o charme extra da carroceria cupê. Por onde passa, arranca olhares curiosos e até deslumbrados, principalmente por se tratar de um veículo que quase não se vê circulando por aí. Mais um ponto positivo: a sensação de exclusividade.

A pequena altura não chega a ser a mais prática para os passageiros, mas garante uma posição de dirigir esportiva e instigante. O interior é bem resolvido e o painel de instrumentos mostra informações como a pressão do turbo. Os pedais metálicos e apliques que imitam fibra de carbono ampliam ainda mais a ideia de esportividade. E a central multimídia, com tela sensível ao toque de sete polegadas, é integrada aos sistemas Apple CarPlay e Android Auto e acompanha sistema de áudio de 450 watts, com 10 alto-falantes.

A ficha técnica do Civic Si não chega a impressionar tanto. E a própria Honda reconhece que não se trata de um carro de números, mas “de curvas”. O motor é o primeiro turbinado utilizado em um Si, o mesmo que move o sedã Civic Touring vendido no Brasil. No cupê, o 1.5 a gasolina recebeu turbo maior, novo mapeamento e uma outra programação dos comandos de válvulas, para garantir maior fluxo de gases. Foi o suficiente para garantir os 208 cv e 26,5 kgfm de torque, ou seja, 35 cv e 4,1 kgfm a mais. Além disso, há dois modos de direção, Normal e Sport. Quando se aciona o mais arisco, a direção se comporta de maneira mais direta e a suspensão ganha ainda mais firmeza. A sensação é a de se estar em um verdadeiro carro de pista.
Fonte: AUTO PRESS/Carta Z Notícias Ltda

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