TESTE: FORD KA 1.0 SE – FOTOS: JORGE RODRIGUES

JORGE/CARTA Z NOTÍCIAS – DATA: 13/11/2018

Editor de Imagens: Quinzinho

Porta de entrada

Versão mais barata do catálogo, Ford Ka 1.0 SE

tem equação racional entre conforto, tecnologias e preço

POR MÁRCIO MAIO

AUTO PRESS

É comum entre as marcas automotivas apostar em diversas versões para seus modelos de volume para aumentarem as vendas totais. E por mais que muitas se preocupem em divulgar todas as tecnologias possíveis de conectividade, trem de força e conforto da linha, geralmente são as variantes mais baratas as que mais são emplacadas. A ideia de carro de entrada, no entanto, mudou muito nos últimos anos. O Ford Ka 1.0 SE é uma prova disso. Apesar de ser a mais em conta do hatch – exceto pela S, focada nos frotistas –, a configuração carrega tudo que mais se espera de um veículo barato, mas com o mínimo conforto até para um passeio em família.

Montado em Camaçari, na Bahia, o Ka de entrada carrega o propulsor tricilíndrico 1.0 de 85 cv de potência e 10,7 kgfm de torque com etanol. A transmissão é sempre manual, com cinco velocidades, e o trem de força fez o modelo conquistar nota A em sua categoria na aferição promovida pelo InMetro. Além do motor moderno, o modelo compartilha com o New Fiesta e o EcoSport a mesma arquitetura de estrutura. Itens de série mais rebuscados, no entanto, como uma central multimídia ou aparatos eletrônicos de segurança, ficam de lado, entrando apenas nas versões mais caras.

A lista de itens de série não é generosa, mas é bem honesta. Ar-condicionado, direção elétrica, vidros dianteiros e travas elétricas com controle remoto, chave canivete, ajuste de altura da coluna de direção e rádio com Bluetooth e comandos de voz estão disponíveis. Mas também não vai além disso. Mesmo porque não se trata de uma variante para impressionar pelo vasto conteúdo, mas sim por sua relação custo/benefício. O problema é que depois de alguns reajustes, o preço de tabela – de R$ 46.490 –, não chega a impressionar também na comparação com alguns de seus concorrentes diretos.

Ponto a ponto

Desempenho – O motor 1.0 de três cilindros e 85 cv da Ford empurra o Ka com bastante facilidade. Arrancadas são boas, mas é a partir dos 3 mil giros que o propulsor responder de forma mais direta. Isso porque o torque máximo, de 10,2 kgfm com gasolina no tanque, aparece aos 3.500 giros, enquanto que com etanol chega aos 10,7 kgfm, mas só em 4.500 mil rpm. Ultrapassagens e retomadas são feitas sem grandes problemas em comparação aos concorrentes e o câmbio manual de cinco velocidades tem engates bem precisos. Nota 8.

Estabilidade – Na versão de entrada, o Ka não traz qualquer salvaguarda eletrônica para melhorar esse quesito – como controle eletrônico de estabilidade. Em compensação, as rolagens de carroceria são sutis e aparecem apenas em curvas mais fechadas e em velocidade mais alta. De maneira geral, o hatch é bem equilibrado e se dá bem nos caminhos sinuosos. Nota 7.

Interatividade – O painel do Ka SE é simples e de leitura muito fácil. O sistema de som traz Bluetooth, mas não acompanha volante multifuncional. Vidros elétricos só na frente e o retrovisor é manual, com um comando interno em cada lado para escolher a posição ideal do espelho. Tem computador de bordo, o que facilita também a vida do condutor na hora de saber como o carro está se comportando em relação ao consumo. Nota 7.

Consumo – O Programa de Etiquetagem do InMetro registrou 9,2 km/l e 10,7 km/l com etanol e 13,4 km/l e 15,5 km/l com gasolina, respectivamente, nos ciclos urbano e rodoviário. Os números renderam nota A no segmento e B na classificação geral. Nota 8.

Conforto – O espaço interno é bom o suficiente para quatro passageiros sem grandes apertos. Mas também não há folga. O isolamento acústico é um tanto falho e o barulho do propulsor entra na cabine com facilidade quando os giros sobem um pouco mais. A suspensão absorve com eficiência a buraqueira das ruas brasileiras e os assentos têm boa densidade. Nota 7.

Tecnologia – A linha Ka até se sai bem nesse quesito, mas não quando se trata da versão de entrada SE. Nada de central multimídia Sync e nem de recursos como controle eletrônico de estabilidade e tração. O hatch em sua variante mais em conta leva mesmo só o básico para garantir algum conforto nas viagens. Nem mesmo vidro elétrico traseiro aparece. O motor, pelo menos, é moderno, assim como a plataforma. Nota 6.

Habitabilidade – O Ka oferece acesso fácil a seus ocupantes e há bons espaços para guardar objetos no

interior, além de diversos nichos para levar copos ou garrafas. O porta-malas não impressiona: são 257 litros, pouco abaixo da média do segmento. De qualquer forma, quem opta pelo Ka hatch não chega a estar tão preocupado com o bagageiro – para esse público, a marca disponibiliza o Ka+, com carroceria sedã. Nota 7.

Acabamento – Há plásticos por toda a parte, mas de qualidade aparentemente boa. Não há folgas nos encaixes, mas também não se tratam de materiais de toque agradável. Não chega a ser vergonhoso, mas é um acabamento que não se destaca. Nota 6.

Design – O Ford Ka não é mais uma novidade no mercado nacional. O fato de ser uma configuração de entrada não chega a ficar tão marcado pela questão estética. Por outro lado, há sinais claros de que não se trata de uma variante mais equipada. Como a ausência de faróis de neblina e a presença de rodas de aço, com calotas. As linhas do carro são modernas e o visual certamente não decepciona – ainda mais pela faixa de preço em que atua. Nota 7.

Custo/benefício – Pela tabela, a Ford cobra R$ 46.490 pelo Ka SE 1.0. Não é o hatch compacto mais barato – um Fiat Uno Attractive 1.0 equipado à altura sai a R$ 45.608, por exemplo, e um Hyundai HB20 Unique é vendido a partir de R$ 43.990, também com nível semelhante de equipamentos. Mas também não se trata da opção mais cara e a Ford vive colocando a configuração de entrada do hatch em promoções atraentes. Nota 6.

Total – O Ford Ka SE 1.0 somou 69 pontos em 100 possíveis.

Impressões ao dirigir

Na conta certa

Versões de entrada não costumam impressionar, principalmente os motoristas que estão acostumados a lidar com variantes de topo da maior parte dos modelos. Mas é inegável: o Ford Ka SE 1.0 tem tudo que se espera de um carro popular para circular com o mínimo de conforto. Ar-condicionado, direção elétrica, vidros elétricos na frente e travas automáticas, além de um sistema de som com Bluetooth, garantem um passeio que, apesar da falta de luxos, não chega a decepcionar.

Quem vai atrás pode sentir falta de comandos elétricos para os vidros e condutores mais antenados com tecnologias modernas certamente tenderão a optar pela variante superior, a SE Plus, que adiciona central multimídia com tela suave ao toque. Mas quem prefere utilizar o celular em um suporte para acessar sistemas de GPS não sentirá tanta falta. Talvez a ausência de comandos no volante para o sistema de som incomode mais.

Em movimento, o motor 1.0 não faz feio. Não há nenhum arroubo de força, mas está bem longe de decepcionar. É bem verdade que o propulsor se sai melhor em giros mais altos, acima das 3 mil rpm. Com isso, a economia entregue parece ser sempre menor que a dos concorrentes 1.0, apesar do trem de força moderno. A suspensão também se comporta de forma competente, absorvendo os impactos dos buracos e, ao mesmo tempo, garantindo bom equilíbrio mesmo em curvas um pouco acentuadas. De maneira geral, o Ka 1.0 SE cumpre bem sua função de veículo de entrada da marca.

Ficha técnica

Ford Ka 1.0 SE

Motor: Gasolina e etanol, dianteiro, transversal, 997 cm³, três cilindros em linha, duplo comando variável na admissão e no escape no cabeçote e quatro válvulas por cilindro. Acelerador eletrônico e injeção eletrônica multiponto sequencial.

Transmissão: Câmbio manual de cinco marchas à frente e uma a ré. Tração dianteira.

Potência: 80/85cv com gasolina/etanol a 6.500 rpm.

Torque: 10,2 kgfm a 3.500 rpm com gasolina e 10,7 kgfm com etanol a 4.500 mil rpm.

Diâmetro e curso: 71,9 mm X 81,8 mm. Taxa de compressão: 12:1.

Suspensão: Dianteira independente do tipo McPherson, com molas helicoidais, amortecedores hidráulicos e barra estabilizadora. Traseira semi-independente por eixo de torção, molas helicoidais e amortecedores hidráulicos.

Pneus: 175/65 R14.

Freios: Discos ventilados na frente e tambores atrás. ABS com EBD e assistência de frenagem.

Carroceria: Hatch em monobloco com quatro portas e cinco lugares. Com 3,89 metros de comprimento, 1,70 m de largura, 1,53 m de altura e 2,49 m de entre-eixos. Oferece airbags frontais de série.

Peso: 1.037 kg.

Capacidade do porta-malas: 257 litros.

Tanque de combustível: 51,6 litros.

Produção: Camaçari, Bahia, Brasil.

Lançamento no Brasil: 2014.

Itens de série: Ar-condicionado, direção elétrica, vidros dianteiros e travas elétricas com controle remoto, chave canivete, airbags frontais, freios ABS com EBD, comando interno para abertura do porta-malas, ajuste de altura da coluna de direção, rádio com Bluetooth e rodas de aço com 14 polegadas.

Preço: R$ 46.490.

 

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