Dinâmica de segurança

Ford EcoSport Titanium abandona o espete pendurado na traseira e ganha pneus run flat 

POR EDUARDO ROCHA – AUTO PRESS

Fotos:EDUARDO ROCHA/CARTA Z NOTÍCIA

Quinzinho – editor de Imagens

O mercado de SUVs compactos no Brasil se bifurcou. No início, os consumidores do segmento buscavam um visual que destacasse a robustez e o espírito aventureiro dos modelos. Mas de uns tempos para cá, os modelos passaram a atrair também um novo consumidor, oriundo principalmente do segmento de sedãs médios. Estes não se interessam não pelo visual off-road. Preferem modelos mais “civilizados”, com desenho elegante e recursos bem tecnológicos. Disputar esse consumidor é a missão que a Ford reservou para a renovada versão Titanium do EcoSport. O modelo chega às concessionárias da marca neste mês de fevereiro já como linha 2020 e traz como maior novidade a eliminação do espete da tampa traseira.

A novidade só foi possível pela adoção de pneus run flat. As demais versões do EcoSport mantiveram o visual tradicional, com o pneu pendurado na traseira. Com a chegada da linha 2020, os preços de tabela também foram alterados. A mais cara continua sendo a Storm, que tem sistema 4X4 e utiliza o motor 2.0 litros de 176 cv. Ela custa R$ 108.390. As demais agora só recebem o motor 1.5 de três cilindros e 130/137 cv. A configuração de entrada, SE, começa em R$ 78.990 na versão manual e vai a R$ 84.990 na automática. A FreeStyle fica em R$ 85.890 na mecânica e R$ 91.890 na automática. A Titanium, que é sempre automática, sai a R$ 103.890.

Para desenvolver a nova versão Titanium com pneus run flat, a Ford trabalhou com a Michelin por cerca de dois anos e meio no processo de validação. A marca norte-americana decidiu criar esta alternativa agora porque esta segunda geração do EcoSport está prevista para ficar no mercado por ainda alguns anos. Quando ela foi lançada, em 2012, o conceito de pendurar o estepe na tampa traseira estava começando a cair em desuso. Mas na época do lançamento, em 2012, a fabricante já não tinha muito o que fazer, pois o porta-malas não tinha espaço para acomodar o pneu sobressalente e modificar o projeto naquela altura já não era uma opção. A solução só veio com a popularização dos run flat. No início, este tipo de pneu só era utilizado nos carros de luxos. Até porque eram bem caros – cada pneu custava entre R$ 2 mil e R$ 3 mil e só era encontrado nas concessionárias. O run flat Michelin ZP, de zero pressure, já tem um preço bem mais acessível: sai a R$ 899 e pode ser achado tanto nas concessionárias da marca quanto em revendas de pneus.

O pneu tem uma construção diferente dos modelos radiais comuns. Toda a estrutura lateral dele é reforçada e forma um anel de borracha dura entre o talão e os ombros do pneu. As rodas também têm bordas mais altas, para manter o pneu preso a ela quando estiver vazio e impedir o destalonamento. A lateral do run flat é tão resistente que ele não chega a dobrar quando está sem ar. Por isso, ele consegue rodar mais 80 km a até 80 km/h com pressão zero. O trajeto pode ser estendido por mais 200 km se for utilizado o kit de reparo que vem no carro. Ele é composto por um compressor de ar e um líquido reparador, que consegue tapar um furo simples ‑ se o pneu estiver com um rasgo, o kit não tem utilidade.

A grande vantagem do sistema, destacada pela Ford, tem a ver com a segurança pessoal que o sistema oferece. Não em relação ao comportamento dinâmico, mas sim pelo fato de poder continuar rodando mesmo com o pneu furado. Isso livra os ocupantes de situações de risco, que poderiam ocorrer caso fossem obrigados a parar em locais ermos ou perigosos. E no caso do Brasil, esse tipo de local são abundantemente encontráveis tanto em ambiente rodoviário quanto em área urbana.

 

Ponto a ponto

Desempenho – O motor 1.5 litro de três cilindros lida muito bem com o EcoSport Titanium. Os 130/137 cv, com gasolina/etanol, garantem vigor para acelerações e retomadas. As subidas de giro são favorecidas pela menor inércia do motor de três cilindros. O torque de 15,6/16,2 kgfm, com gasolina/etanol, estão presentes desde os 2 mil giros, apesar de só chegarem ao máximo em 4.500 rpm. O câmbio automático de seis velocidades consegue explorar bem os recursos do motor. Nota 8.

Estabilidade – Com a saída dos 18 quilos do estepe pendurado na traseira, a Ford decidiu retrabalhar a suspensão traseira, com molas mais baixas, para manter a tradicional neutralidade do EcoSport nas curvas. As rolagens de carroceria são sutis, apesar da altura de 1,67 metro. O sistema antivibração da direção também foi mexido, para compensar o peso do novo conjunto de roda e pneu, quase 2 quilos maior. A comunicação entre volante e rodas é bem direta e agradável. Nota 8.

Interatividade – A direção com assistência elétrica tem o peso correto para as diferentes situações. É leve em manobras de baixa velocidade e dá firmeza e precisão nas velocidades mais altas. A versão é bem completa, com ar-condicionado digital automático, câmera de ré, sensor de estacionamento, sistema de entretenimento com boa conectividade, com Apple Car Play e Android Auto, controles de som no volante e tela de oito polegadas. As trocas manuais de marcha podem ser feitas por aletas atrás do volante e o controle de velocidade de cruzeiro amplia o conforto. Tem ainda monitoramento de ponto cego e de tráfego cruzado. Um ganho significativo foi a redução do comprimento do carro com a saída do estepe da traseira. Ele ficou 22 cm mais curto. Nota 9.

Consumo – Segundo o InMetro, o Ford EcoSport 1.5 automático obteve notas A na categoria e B na geral, com médias de consumo de 7,1/8,9 km/l com etanol na cidade/estrada e 10,4/12,8 km/l com gasolina, nas mesmas condições. Nota 8.

Conforto – A suspensão traseira do EcoSport foi modificada para manter o mesmo padrão de comportamento, que já era muito bom. O compromisso maior é com a estabilidade, mas o conforto não é comprometido. Até porque os bancos são bastante ergonômicos. As imperfeições do pavimento são filtrados sem maiores problemas. O espaço interno é o que se espera de um SUV compacto, assim como o porta-malas, que acomoda um volume de 362 litros. Nota 7.

Tecnologia – A plataforma do EcoSport tem boa rigidez, mas já não pode ser considerada moderna. Já o motor é novo e nesta versão Titanium vem sempre com transmissão automática. Ele está bem alinhado à proposta de downsizing, com apenas três cilindros e boa potência. A lista de equipamentos da versão é bem completa, com itens de segurança bem moderno. A central multimídia Sync 3 também tem bons recursos e, por fim, oferece pneus run flat, que dá mais segurança pessoal e também facilita a vida de quem não gosta de meter a mão na graxa. Nota 9.

Habitabilidade – A boa altura dos utilitários esportivos compactos como o EcoSport ajuda no movimento de entrar e sair do veículo. O modelo tem espaço para levar quatro ocupantes sem apertos, mas o tamanho do porta-malas, de 356 litros, não impressiona. O pivotamento horizontal da tampa traseira perdeu o sentido com a saída do estepe dali. Em determinadas situações, é menos prática que a tampa normal, que se abre verticalmente. No interior, há diversos nichos, como porta-copos, porta-garrafas, bolsa nas costas do encosto, que permitem uma boa organização. Nota 7.

Acabamento – Bancos, painel, volante e console formam um conjunto visualmente atraente, com bom gosto na composição dos materiais. A superfície do painel e de áreas que os ocupantes tocam ganharam uma superfície macia. Mesmo os plásticos rígidos aparentam ter boa qualidade. Na versão avaliada, um toque de requinte era dado pelo revestimento em couro sintético cinza claro, que combinava com o tom da parte inferior do painel. Nota 8.

Design – Este foi um dos pontos que motivou a Ford a mexer no EcoSport. E, de fato, ficou mais elegante sem o estepe pendurado na traseira. Internamente, o modelo havia sido atualizado há pouco tempo e agora interior e exterior estão mais harmonizados. A redução de mais de 20 cm no comprimento total do modelo deu um aspecto mais simpático. Nota 8.

Custo/benefício – O EcoSport Titanium 1.5 AT é vendido por R$ R$ 103.890 e traz um conjunto propulsor moderno e diversos conteúdos tecnológicos, inclusive os pneus run flat. Os rivais diretos são Honda HR-V, Nissan Kicks, Chevrolet Tracker e Renault Captur, todos bem menos equipados que o Titanium na versão de topo, mas com preços semelhantes. Nota 7.

Total – O Ford EcoSport Titanium 1.5 AT somou79 pontos em 100 possíveis.

 

 

Primeiras impressões

Urbanidade elegante

Com a nova versão Titanium, a Ford criou um visual mais condizendo com o conteúdo tecnológico e a vocação do EcoSport. Apesar de ter uma certa robustez, o SUV compacto da marca sempre ficou mais à vontade no asfalto. E a novidade ajuda também na vida urbana. Afinal, um carro 21 cm mais curto encontra vaga de estacionamento bem  mais facilmente.

No mais, o EcoSport não sofreu alterações notáveis. Todas as mudanças promovidas pela engenharia, como a redução da altura da mola e a recalibragem do sistema de antitrepidação da direção, foram no sentido de manter a mesma dinâmica que o SUV já apresentava – e que, de fato, era bem equilibrada.

O motor 1.5 de três cilindros continua sendo um trunfo do modelo. Ele é elástico, tem bom torque e funcionamento extremamente liso. Al[em disso, conversa muito bem com o câmbio automático de seis marchas. Em uso normal, sequer se percebe as mudanças de marcha. Já em uma tocada mais esportiva, o conjunto responde rápido e não deixa buracos em acelerações e retomadas.

O interior da versão é também bastante convincente. Os acabamentos são bons e as superfícies macias deixam o habitáculo mais aconchegante. E o conteúdo tecnológico está acima da média do segmento no Brasil, com sensor de ponto cego, de tráfego cruzado, sete airbags, etc. E, no geral, a versão Titanium do EcoSport cumpre bem a proposta de unir a altura e robustez de um SUV com a elegância e o conforto de um carro de passeio.

 

Ficha técnica

Ford EcoSport Titanium 2020

Motor 1.5: Gasolina e etanol, dianteiro, transversal, 1.497 cm³, três cilindros em linha, comando simples no cabeçote com tempo de abertura de válvulas variável. Injeção e acelerador eletrônicos.

Transmissão: Câmbio automático de 6 marchas mudanças sequenciais de seis marchas à frente e uma a ré com tração dianteira. Oferece controle eletrônico de tração.

Potência máxima: 130,4/137,2 cv com gasolina e etanol a 4.500 rpm.

Torque máximo: 15,6/16,2 kgfm a 4.500 rpm.

Diâmetro e curso: 84 mm X 90 mm com taxa de compressão de 12,0:1.

Suspensão: Dianteira independente do tipo McPherson, com braços inferiores, barra estabilizadora e molas com compensação de carga lateral. Traseira semi-independente com eixo de torção, amortecedores hidráulicos pressurizados com molas helicoidais. Oferece controle eletrônico de estabilidade e sistema anticapotamento.

Pneus: 205/50 R17.

Freios: Discos ventilados na frente, tambores atrás e ABS de série com assistente de partida em rampa.

Carroceria: Utilitário esportivo em monobloco com quatro portas e cinco lugares. Com 4,01 metros de comprimento, 1,76 m de largura, 1,67 m de altura e 2,52 m de distância entre-eixos. Airbags frontais, laterais, de cortina e de joelho para o motorista.

Peso: 1.310 kg.

Capacidade do porta-malas: 356 litros.

Tanque de combustível: 52 litros.

Produção: Camaçari, Bahia.

Preço: R$ 103.890.

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